quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Sempre Pablo...



Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.
Pablo Neruda

Um comentário:

Anônimo disse...

Quem me dera tu a me esperar...

Quem me dera meu quarto
Perfumado com teu perfume,
Estaria agora entregue ao êxtase
Do teu cheiro esperando em silêncio
Que o amor me convide.
Quem me dera meu leito ornado
Com as flores do teu jardim,
Meu céu seria um Éden eterno
E eu caminharia livre e solto para o amor.
Quem me dera o cheiro do incenso
Com a fragrância da paixão,
Estaria inebriado com a perdição sem fim.
Quem me dera, eu, mero poeta,
Estar sob a luz azul dos teus olhos
E poder tocar na maciez da tua pele
Vestida de mulher,
Seríamos um só corpo, um só espírito
E estaríamos entregues às circunstâncias
Incontroláveis do amor.